Muito se ouve falar sobre perdas nos sistemas de abastecimento de água e o impacto que isso tem na tarifa das contas de consumo que todos nós pagamos mensalmente.

Mas o que são perdas? Como combatê-las?

Existem basicamente 2 tipos de perdas nos sistemas de abastecimento de água:

  • Perdas Reais
  • Perdas Aparentes

O que são Perdas Reais?

São as perdas oriundas de vazamentos (alguns visíveis e outros não visíveis) que ocorrem desde a captação da água bruta (antes do tratamento) até a chegada nas torneiras dos consumidores. Isso inclui os sistemas de tratamento de água, os reservatórios espalhados pelas cidades, as tubulações de água enterradas nas ruas, as diversas conexões em todo o sistema e as tubulações dentro das residências.

O que são Perdas Aparentes?

São perdas que impactam diretamente no faturamento das empresas de saneamento, pois se trata de água coletada, tratada, distribuída e entregue aos consumidores, porém sem a remuneração por isso.

Elas são causadas por diversos elementos que compõem o sistema de distribuição de água, e podemos aqui citar alguns deles: Medições imprecisas dos hidrômetros instalados nos consumidores, fraudes, erros de leitura, erros de cadastros de consumidores, não cobrança por falta de acesso ao hidrômetro.

Como combater as Perdas Reais?

A forma mais eficiente de se combater as perdas de água é realizando manutenções preventivas e modernizações em todos os componentes do sistema, desde as bombas que captam a água,  às tubulações e conexões que chegam as nossas casas.

Agora vamos detalhar um pouco mais sobre como atuar no combate às perdas reais em seus diversos componentes do sistema:

  • Realizar manutenções e substituições periódicas de bombas de captação e distribuição de água, por equipamentos mais eficientes, inclusive no quesito consumo de eletricidade (outro item que compõe o custo da água com grande impacto);
  • Possuir processos de tratamento de água eficientes e modernos;
  • Realizar manutenção nas vedações e conexões dos reservatórios tanto para o tratamento como para a distribuição;
  • Possuir sistemas automatizados para controlar os níveis desses reservatórios;
  • Monitorar as entradas e saídas dos reservatórios;
  • Substituir tubulações antigas por tubulações de materiais mais modernos e duradouros;
  • Ter a rede de distribuição setorizada e isolada para realizar o balanço hídrico (medições de água entregue no sistema x água faturada);
  • Ter a modelagem hidráulica dos setores e utilizar softwares e metodologias modernos para detectar vazamentos;
  • Realizar controle e gerenciamento de pressão nas redes de distribuição;
  • Ter um programa contínuo de pesquisa de vazamentos;
  • Fazer reparos o mais rápido possível e de forma eficiente nos vazamentos encontrados;
  • Nas residências realizar vistorias nas tubulações e acompanhamento mensal do volume consumido.

Como Combater as Perdas Aparentes?

Não menos importante que as Perdas Reais que mencionamos acima, existem também as Perdas Aparentes, que impactam diretamente no caixa das empresas de saneamento e com isso na capacidade de investimentos para a melhoria e eficiência dos sistemas de abastecimento de água, sem contar com a questão da justiça social na cobrança do consumo.

Para mencionar algumas ações que podem ser feitas para evitarmos as Perdas Aparentes, temos a seguir:

  • Atualização cadastral para definição da categoria do consumidor, (pois existem diferenças nos valores de tarifas);
  • Ter programa de caça-fraude, onde busca identificar possíveis fraudes no sistema de distribuição, desde um by-pass (conexão à rede de distribuição sem medição) até possíveis adulterações nos hidrômetros;
  • Utilizar hidrômetros com maior acuracidade na medição e adequado para cada perfil de usuário, respeitando a vida útil e o desempenho em cada ligação;
  • Possuir leitura automatizada dos hidrômetros (com indicações de alarmes e alterações no consumo em tempo real);
  • Adotar o uso de software de gestão do parque de hidrômetros que possam acompanhar o desempenho individual de cada hidrômetro e o perfil de consumo, propondo o melhor hidrômetro para cada ligação (baseado no desempenho metrológico de cada tecnologia);
  • Utilizar softwares de gestão comercial que forneçam dados das medições para suportar a análise do parque de medidores e acompanhamento no consumo diário das ligações;
  • Possuir medição individualizada em condomínios e apartamentos para promover a cobrança justa pelo consumo de cada unidade (casa ou apartamento) que auxilia na possível descoberta de vazamentos.

Todas essas ações comumente adotadas pelas empresas de saneamento, auxiliam na melhoria da eficiência da gestão da empresa, podendo com isto contribuir para uma redução dos valores cobrados nas contas e melhorar a qualidade dos serviços prestados para toda a população.

Por último e não menos relevante, ressalto a importância da redução no consumo, tanto da água que vai para o sistema, como a água utilizada para gerar energia elétrica que alimenta as bombas e equipamentos utilizados, uma vez que este recurso tão precioso vem ficando cada vez mais escasso e distante das grandes metrópoles.

Fabricio Mardegan
Gerente Vendas Indiretas
Fabricio Mardegan é Gerente de Vendas da Itron e atua no time de Vendas Indiretas - Brasil.

Começou sua carreira em 1996 como técnico eletrotécnica na CPFL, atuou na Ericsson como analista de implementação de telefonia celular, atua no setor de saneamento desde 2002 e trabalha na Itron desde 2008. Atualmente é responsável pelas vendas indiretas Brasil, suportando e apoiando canais de parceiros no desenvolvimento de soluções para água e gás.

Fabricio Mardegan é formado em Engenharia Elétrica / Eletrônica pela Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL, com MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas. Possui formação em Gestão de Perdas de Água e Eficiência Energética – pela AESABESP e Portal Capacidades do Ministério das Cidades.