Por: Emerson Souza, VP de Vendas e Marketing da Itron para América Latina

 

Com a medida aprovada pelo governo valendo desde 01/01/2020, os custos diferenciados de energia para cada horário (na ponta e no intermediário a energia é mais cara, e fora da ponta é mais barata), para residências e pequenos estabelecimentos comerciais e industriais, previstos pela adoção da tarifa branca da Aneel podem representar grandes benefícios aos consumidores. 

A meu ver, antes de optar pela tarifa branca, porém, é preciso que o consumidor faça uma análise sobre seu perfil de consumo e hábitos de utilização da energia elétrica ao longo do dia, comparando-os com os períodos de ponta e intermediário definidos para a distribuidora que o atende. Para os consumidores residenciais, os aparelhos elétricos que mais contribuem com o consumo de energia no período de ponta são o chuveiro elétrico e os equipamentos de condicionamento ambiental, tais como ar-condicionado e aquecedores.

Por apresentarem um elevado consumo de energia em comparação com os demais equipamentos, a possibilidade de utilizá-los nos períodos de fora de ponta será fundamental para obtenção dos benefícios ao aderir a tarifa branca. Isso porque se o consumidor optar pela tarifa branca, mas não estiver disposto a ajustar seus hábitos utilizando estes aparelhos de maior consumo, a conta de energia elétrica pode ficar mais cara, o que não quer dizer que o consumidor não deva consumir no período de ponta, mas apenas evitar o uso de aparelhos de alto consumo no período.

A mudança de alguns hábitos na rotina pessoal e/ou profissional do consumidor pode representar benefícios significativos.

Adesão à tarifa branca

Para saber a relação entre a tarifa branca relativa ao consumo fora de ponta e a tarifa convencional, definidas anualmente pela Aneel nos reajustes tarifários e publicadas em resoluções homologatórias para cada distribuidora, considero que quanto maior for a diferença entre a tarifa branca fora de ponta e a tarifa convencional, maiores serão os benefícios da nova tarifa.

A adesão à tarifa branca é uma opção do consumidor e sua solicitação deverá ser atendida pela concessionária do serviço de energia de sua cidade em até 30 dias. Os custos relativos ao medidor (equipamentos analógicos precisam ser substituídos por digitais para atuar com a tarifa branca) e sua instalação são de responsabilidade da distribuidora.

Caso o consumidor queira iniciar o fornecimento com a aplicação da modalidade tarifária branca, esta adesão deve ser atendida pela distribuidora dentro dos prazos definidos pela Resolução Normativa nº 414/2010 (máximo de 5 dias em área urbana e 10 dias em área rural)”, explica o VP da Itron. “Mas ele poderá retornar à tarifa convencional a qualquer tempo, devendo ser atendido pela distribuidora em até 30 dias. Após o retorno à convencional, uma nova adesão à Tarifa Branca só será possível após o prazo de 180 dias.

De acordo com dados da Aneel, em todo Brasil existem cerca de mais de 32 mil unidades consumidoras operando no sistema da tarifa branca, modelo que começou a ser usado em 2018 para unidades com consumo superior a 500 quilowatts-hora (kWh), passando em 2019 a ser aplicado em unidades com consumo a partir de 250 kWh. Agora, com a adesão total do chamado grupo B (consumo mensal de energia inferior a 250 kWh), mais de 40 milhões de casas e comércios estão aptos a esta escolha. Essa mudança não valerá apenas para unidades residenciais consumidoras da subclasse de baixa renda, atualmente tarifadas em condições vantajosas.

Vale a pena manter-se informado sobre o assunto!

Emerson de Souza
Vice President of Sales & Marketing of Itron for Latin America - Itron
Emerson de Souza é Vice-Presidente de Vendas & Marketing da Itron para a América Latina.
Começou sua carreira em 1991, juntando-se Schlumberger, depois migrando para Actaris e juntando-se Itron em 2007 como Gerente responsável pela introdução de medidores eletrônicos estáticos em substituição da antiga tecnologia eletromecânica. Emerson dedicou toda a sua carreira para a indústria de medição e, mais recentemente, para as soluções de SmartGrid e SmartCity, trabalhando em estreita colaboração com os serviços públicos e governo, a fim de desenvolver a indústria e permitir uma adoção mais rápida da tecnologia na América Latina.
Recentemente, debateu o papel das tecnologias inteligentes na hiper-urbanização durante a conferência global “Discovering Global Markets: Sustainable Solutions 2015”, organizada pelo Serviço Comercial dos Estados Unidos.
Emerson é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Paulista e MBA em Gestão Financeira e de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).